Leo apertou a sirene e saiu do programa.
Segundo Ralf, choraram muito os tres quando Leo anunciou que não aguentava, que estava pirando e ia apertar a sirene. E assim fez. Era visível que Leo não tinha estrutura pra permanecer no programa.
Eu vi assim, Leo, ainda no lado B, se apoiou, acreditou em Nonô, que era sua bússola lå dentro, seu guia, seu pai, avô, o escambau. Leo era o único que ouvia sem objeções as sandices do velho. Se Leo pudesse ter tido algum foco, o que acho difícil, a partir da aposta no velho, esse foco se perdeu.
O tranco da eliminação de Nonô, a percepção de que não sacou nada de porcaria nenhuma, a informação trazida por Joseicreuza de que Nonô era execrado aqui fora fez o menino pirar. Sacou que todos os referenciais afetivos e estratégicos que adotara eram equivocados. E pirou. Pirou porque não tinha mesmo estrutura para o jogo Big Brother.
Não culpo Leo por ter se inscrito e acreditado que poderia encarar o desafio- jovens como ele nem sempre tem a consciência, a percepção dos próprios limites. A onipotência é típica da juventude, mas vamos e venhamos, que mancada da produção que não sacou, que selecionou um candidato visivelmente despreparado, com validade vencida. Ou melhor, sem validade. Por sem validade, me refiro ao jogo Big Brother, eu não nego o valor de Leo como pessoa, cidadão, porque certamente ele o tem.
Outro culpado, ou melhor, culpado não, responsável foi o porteiro, que agora amarga um tremendo sentimento de culpa. Porque não é possível que ele não tenha registrado a expressão "castigo", impossível. O que ele fez foi uma escolha precipitada, carregando junto com ele para o castigo um jogador visivelmente despreparado para um desafio que ele não sabia qual seria. E provavelmente percebendo a M* com M maiúsculo que fizera, numa operação de defesa inconsciente, ele esqueceu. Não acredito que tenha sido uma mentira, ou um esquecimento inventado. Acho que foi defesa inconsciente mesmo, mesmo, das mais típicas. Ou não foi, porque agora, neste momento, ouvindo aqui as justificativas que tenta dar para o esquecimento, o porteiro se enrola e admite que "achou" que seria outro tipo de castigo. Muito bem, então ele carrega pro castigo o cara mais parceiro e alguém visivelmente mal. Que fique com a consciência pesada, então. Aliás, Tontão tem se mostrado exímio em tomar decisões pra se arrepender depois.
Quanto ao Leo, dos males o menor. Foi, ainda que numa experiência extremamente desagradável, traumática, uma saída mais honrosa e mais conveniente do ponto de vista prático para o jogador do que simplesmente desistir sem ter passado pelo quarto Laranja Mecânica.
Que ele fique bem, é o que espero e sinceramente desejo. O apoio da produção ele vai ter, com certeza. O que não teria tido se simplesmente desistisse, sem uma justificativa tão boa para fazê-lo.
Um adendo sobre o porteiro e sua desastrada decisão:
O que cegou o porteiro foi a gana no Alexandre. De um desafeto, Ana, ele se vingou, ou ao menos tentou, indicando-a ao paredão. E tava seco no outro. Desistiu em favor do Mano na prova do líder, se arrependeu, porque se deixou cegar pela secura de emparedar e se vingar de Alexandre que não acatou as suas ordens anteriormente. Então, se não aceitou a sua lideranca "espontânea" como líder do Lado A, ia sentir o peso da sua espada (heheh) justiceira na liderança de fato e degolar o cara.
Ele atendeu o telefone numa tal ânsia que nem se ligou no que fazia. E levou com ele pra um castigo alguém totalmente despreparado e que ele nem queria mal. Porteiro foi o carrasco de Leo, consciente ou inconscientemente. E acabou promovendo duas degolas nessa, meio que sem querer, a certa, a de Alexandre, e a errada, a de Leo.







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