Da Globo.com:
Lindemberg dera um soco nas costas de Eloá duas semanas antes de invadir seu apartamento e fazê-la refém. A mãe, Ana Cristina, quis dar queixa na polícia. Foragido da Justiça, o pai não deixou
“Lindemberg disse que, se eu não me afastasse de Eloá, mataria nós dois.” A ameaça foi feita ao estudante Paulo Henrique da Silva, de 15 anos, cerca de duas semanas antes do assassinato de Eloá Cristina Pimentel. Liso, o apelido de Lindemberg Alves, de 22 anos, cruzou o caminho de Paulo na periferia de Santo André. O adolescente foi surpreendido quando voltava para casa depois de uma partida de futebol. Liso parou sua moto, uma CG 125, e o intimidou. Ele sabia que Paulo e sua ex-namorada, amigos desde a 5ª série, estavam “ficando”.
Esse foi o indício mais forte das intenções homicidas de Lindemberg. Ele não se conformava com as negativas de Eloá de reatar o namoro de quase três anos. Lindemberg também procurou a ex-namorada na saída da escola. A conversa terminou em agressão. Ele deu um soco nas costas de Eloá, que se desequilibrou e caiu no meio da rua. Foi a primeira vez que a estudante contou às amigas e aos pais ter apanhado de Liso. A princípio, ninguém acreditou. A mãe de Eloá, Ana Cristina, a levou ao apartamento de Lindemberg para esclarecer a história. Ele negou ter batido na ex-namorada e classificou o episódio como uma briga que terminou com um empurrão.
Ana Cristina, a Tina, não se convenceu e cogitou ir à delegacia denunciar o rapaz por agressão. Recuou a pedido do marido. “Aldo disse que Lindemberg era uma boa pessoa e não conseguiria mais emprego com ficha suja”, afirma a agente de saúde Simone Morais Duarte, a amiga que hospedou a família de Eloá em casa durante o seqüestro.
Aldo, o pai de Eloá, considerava Lindemberg como um filho. Mas tinha outro motivo para se manter longe de delegacias. Em São Paulo, ele usava documentos falsos. Aldo José da Silva é um disfarce. O pai de Eloá se chama Everaldo Pereira dos Santos. Ex-policial militar, ele é suspeito de integrar um grupo de extermínio em Alagoas. Foragido desde 1993, foi reconhecido pela polícia alagoana ao ser flagrado pelas câmeras de televisão durante o seqüestro da filha. Segundo Simone, ele nunca contou aos filhos nem aos amigos que fez em Santo André sobre o passado. “Ninguém desconfiava que ele tinha sido policial, muito menos foragido da Justiça”.
Durante o enterro, Ana Cristina, mãe de Eloá, causou comoção ao afirmar que perdoava o assassino da filha. “Eu perdôo Lindemberg, mas espero que a justiça seja feita.” Religiosa, ela disse ainda que a morte da filha foi a vontade de Deus. “Minha filha está feliz. Cumpriu sua missão na Terra, deu vida a outras pessoas”, afirmou, em alusão às sete pessoas que receberam os órgãos de Eloá. A família autorizou a doação de seus rins, pulmões, pâncreas, coração, fígado e córneas. Para a mãe, esse gesto conferiu um desfecho digno para uma história trágica.
O que foi que eu disse? A mãe já sabia que a filha apanhava do namorado. Ela é tão culpada quanto o pai e o Lindemberg, afinal foi ela quem declarou que o marginal era um garoto bom, mesmo tendo consciência que ele não era, foi ela quem fez a imagem de santo dele para a polícia e para a opinião pública, mesmo sabendo que ele era perigoso e estava apontando um revólver pra cabeça de sua filha.
O que aconteceu a partir daí? Como o Lindemberg era “suposto” réu primário e garoto ajuizado, declarado pela própria mãe da vítima, a polícia não o tratou como o marginal perigoso que, na verdade, ele era e, com receio da opinião pública, não tomou as medidas que deveria ter tomado, ou seja, atirar para matar na primeira oportunidade que teve.
Digam-me se essa mãe não atrapalhou, e muito? Se ela e o pai também não carregam a morte da filha nas costas?
Até hoje não engulo essa mãe da Eloá ter perdoado o assassino da filha enquanto ainda velava o corpo. Nem enterrada a menina tinha sido! A mãe da Nayara, ao ser questionada pelos repórteres, disse que não perdoa o marginal. E vejam bem... a Nayara está viva, fora de risco, fisicamente perfeita. Mas a mãe da morta perdoou...
Imaginem o que teria acontecido com a polícia se eles tivessem matado o garoto bonzinho, defendido pela própria mãe da vítima como rapaz de bem?
Me revolta saber que a única pessoa inocente nessa história foi justamente a que pagou com a vida.






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